sexta-feira, fevereiro 26, 2010

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Quando nos enganam redondamente, engolimos em seco e regressamos aos nossos 50 cm de pura ingenuidade.
O Roldão fechou portas, mas o Eterno Instantâneo fez voar um telhado inteiro.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Um mundo à parte

A avó Gugu vai com toda a certeza concordar comigo, não porque ela seja de outros tempos, mas, essencialmente, porque terá outros valores.

As famílias modernas, não despropositadamente assim chamadas, porque afinal não são apenas famílias que são contemporâneas, são famílias modernas, cheias de modernices, cheias de pais e mães e meios irmãos.

Uma família moderna é assustadora, porque a Maria come o António, mesmo sendo namorada do Manuel. O Joaquim comeu centenas, e vai já no terceiro casamento. O Guilherme casado e com um filho sai de casa por uma qualquer e depois volta, passado muito tempo, muita miséria, muito sofrimento.

E depois é Natal, juntam-se todos numa grande confusão, onde há necessariamente gente a mais, gente que não é suposto estar ali.

E eu pergunto-me se isto é ainda uma família, ou se será já outra coisa.

Destreza

sábado, janeiro 09, 2010

Miragem

A vida com ela é mais fácil.
Há mais dinheiro, mais amigos, mais festa. É tudo novo, ainda.


A vida com ela é uma lufada de ar fresco, porque é isso que as coisas novas nos trazem.


Passei meses em frente à porta do frigorífico, em sucessivos dias de Verão. Senti calor, os lábios secaram, só pensava em abrir a porta do frigorífico. Matar a sede. Que bom que seria.

Nunca estive sozinho naquela casa onde guardei o frigorífico. Mas era como se estivesse, pelo menos era esse o meu desejo e fiz de tudo para que isso acontecesse.

Só pensava em voltar a estar sozinho para abrir a porta, sentir a lufada de ar fresco. Matar a sede. Estar com ela.

Um dia ganhei coragem, importei-me mais comigo que com tudo o resto e abri a porta.

Sei que ao abrir aquela porta tudo à minha volta congelou, ficou frio e cruel. Mas isso não importa, porque eu matei a minha sede. Foram meses à espera de abrir aquela porta. Percebem?

Sei também que não poderei manter a porta do frigorífico aberta por muito tempo. Mas será o tempo bastante para matar de frio a pessoa que agora nem lembro, e será o tempo bastante para me sentir bem e feliz e acreditar que será bom para sempre.

A vida com ela é mais fácil.

Nunerico

sexta-feira, janeiro 08, 2010

Hallelujah

A paixão quando chega leva tudo atrás.

"I've been here before"

Just once.

Entretanto, encontrei quem se tivesse apaixonado por mim, e poderia ter ficado ali para sempre, creio.

Não fosse o referido tipo um poço de paixões, daqueles para quem apaixonar-se é ano sim, ano não.

Sem conotações positivas ou negativas, a paixão para mim merece um aleluia.

Não quero que se apaixonem por mim. Desta feita quero e vou apaixonar-me.

sexta-feira, janeiro 01, 2010

Barreiras

Num ano, agora passado, enlouqueci um pouco. Dei-me conta de como uma injustiça sem responsabilizados nos pode causar danos.

Há dívidas morais que não serão saldadas.

Este ano, agora chegado, vou enlouquecer um pouco mais fingindo que esqueci tudo, que há de facto uma barreira, muito mais física que psicológica, entre o último dia de 2009 e o primeiro de 2010.

Este ano, o meu mundo vai ficar maior e como me disse alguém:

"A tua vida recomeça agora. E estás a tempo de tudo. Tudo mesmo."

Agradeço muito aos meus amigos e família por, felizmente, continuarem onde realmente preciso deles: perto.

Obrigada e bons saltos.

terça-feira, dezembro 29, 2009

O que aqui se destruiu não voltará a erguer-se

A vida dá tantas voltas que, necessariamente,há sempre um momento e outro em que enjoamos, empalidecemos e passamos mal.

domingo, dezembro 27, 2009

No fiar nunca esteve o ganho

Não confiem.
Não confiem mesmo.
Afinal, continuamos animais,
instintivos,
e imprevisíveis.

Desconfiem.
Desconfiem muito.
E, sobretudo, guardem as mãos bem longe de todo o fogo.

segunda-feira, dezembro 21, 2009

O Amor é um lugar morto

Naquela manhã, acordaram ambos por volta da mesma hora. Tomaram um duche, comeram cereais. Ele ainda fumou um charro, enquanto ela se estendeu um pouco na varanda a apanhar os primeiros raios de sol.

Estranharam o Amor estar ainda deitado. Preocupados, aproximaram-se da cama e perceberam o que era por demais evidente: o Amor estava morto. O corpo ainda estava quente, mas a falta de vida não deixava dúvidas.

Apressaram-se a sair, porque nenhum dos dois quis ver-se envolvido naquela morte, ser apanhado, ou até mesmo acusado.

Apressaram-se a sair.

E sair foi a última coisa que fizeram juntos.

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Try again. Fail again. Fail better.

É sempre difícil falar de uma casa vazia.

Especialmente porque na memória de quem a encheu ela permanecerá assim: cheia.

Dos livros, dos filmes que passavam a horas tardias, das sestas a meio da tarde, da areia da praia presa ao soalho, da brisa das noites de verão a entrar pelas portas da varanda, dos corpos encostados às janelas, dos bons dias, dos capacetes plantados no sofá ao canto, dos fumícios, das discussões, do amor aceso, do prestável colchão de plástico (onde tantas vezes dormimos) a esvaziar à medida que os sonhos esvaziavam também.

Esvaziou o colchão, esvaziaram os sonhos, e por fim esvaziaste, esvaziei e esvaziámos a casa. Falhaste, falhei , falhámos.

E ainda hoje preciso falar dessa casa vazia, dessa casa que adormece comigo e acorda comigo. Dessa casa que recordo, às vezes porque a quero recordar, mas a maior parte das vezes porque não a consigo esquecer.

Porque ainda a vejo cheia. Vejo os vidros embaciados nos Invernos, sinto os meus lábios na tua cara. Abraço-te porque tenho vontade, estico-me no sofá castanho, vejo-te na tua cadeira a fumar, ainda te ouço algumas palavras, mas já não consigo ouvir tudo.

É sempre difícil falar de uma casa vazia.

Especialmente porque, objectivamente, e para lá de tudo o que a memória nos impinja, ela permanecerá assim: vazia.

domingo, novembro 08, 2009

FAUSTO VS JEREMIAS

Um avô, cuja figura ia já desvanecendo na sua memória, e um conselho: Faz-te boa moça, dizia, foram o bastante para nunca se ter entregue.



Jeremias escolheu, sempre, o seu lugar do lado de fora.

quarta-feira, março 04, 2009

Tudo sobre Eva





Do mistério das coisas ninguém duvide.


Porque há sempre uma parte de nós, talvez a pior, que ninguém conhece.


quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Pulsar

Janelas do meu quarto


Poderia escrever os versos mais belos esta noite.
Soubesse eu de poesia.
Pintaram-me, mascararam-me, e eu até cheguei a viver, por fases, convencida.
Especialmente depois de meia dúzia de shots.
Acreditava em qualquer coisa, se boa.
Como escrever os mais belos versos, numa noite qualquer, quisesse eu, mesmo que não soubesse.

Não poderiam, nem que soubessem, imaginar-me em fases de crença. Degolaria o mundo com um sorriso dos meus.

São bonitos os meus sorrisos.

Poderia?
Desconvenço-me com a garrafa de vinho. São tão bonitos os meus sorrisos.

Vou escrever o verso mais triste esta noite. Escrever, por exemplo: “Como são bonitos os meus sorrisos.”

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

sexta-feira, janeiro 30, 2009

E agora que a erva assaltou os meus caminhos?


Parar, pois então. Estender-me. Ver o verde a deslizar-me olhos adentro. Ouvir os zumbidos dos que sempre vão andando.

E esperar. Esperar que a erva me assalte o corpo e me dilua num imenso borrão de cor.

quarta-feira, janeiro 21, 2009

Lonlêncio

Vai longo o silêncio, o devaneio.
Remamos sobre as palavras, como se não tivéssemos guelras. Porque nos é difícil entender, muitas vezes, tantas vezes, vezes a mais, se é sobre ou sob que devemos remar.

Vai longo o silêncio.

segunda-feira, novembro 10, 2008

Boiroaco negro

Os cabelos longos, húmidos e negros formaram tamanha poça no hole de entrada que tudo e quem por ali passasse sugado era.

segunda-feira, janeiro 28, 2008

O tempo foi-nos comendo e quando demos por nós já não estavamos cá mas naquele outro sítio de onde afinal nunca saímos


E foi assim, acordamos sem nenhum perfume.
Não havia nada mais a fazer ali. Peguei em mim e embalei-me, tapei-me com tudo o que consegui e assim mais ninguém me viu. Mais ninguém.
Eu agora vivo aqui dentro. Não há voz, não há cor nem movimento que me denuncie.
Não há sequer o tempo que vejo passar ao olhar lá para fora.
As coisas que se atravessam diante dos meus olhos não são, simplesmente.
Continuo a olhar e o dia que se põe fica para sempre gravado. Queimado.
Não há chuva
som
tacto
não há uma simples cadeira no tecto para que descanse as mãos de tanto viajar.
Não há.

Olho de vez em quando para trás só para ainda ver onde ando. Qualquer dia não me encontro no meio destas luzes.

segunda-feira, janeiro 21, 2008

Abocanha o dia, ou carpe diem, ou o que dele restar.

Os dias tinham sido curtos nos últimos tempos. Sempre que abocanhava a rua depois do dia de trabalho, já o esperava a noite do dia de trabalho.

Mas naquele dia ainda era dia. Assim um dia de dia. Assim um dia escurinho, mas iluminado ainda. Não eram seis como as seis da tarde de um entardecer de Verão. Mas eram talvez como as oito e quarenta e cinco da noite de um entardecer de Verão, e, no entanto, ainda eram seis de um ainda dia de um Inverno. Ainda.

Entretanto o sol foi morrer longe e eu não vi mais nada. Ainda.

terça-feira, janeiro 01, 2008

Não tinha rodinhas.

Talvez porque os cânones não se mudem assim, já que pesam e ficam. Ganham o pó e as térmitas e as manchas e o seu lugar. Ganham a idade e o valor e o direito a permanecer.

Não tenho corpo de livro, cheiro, ou toque. Mas tenho-lhe a alma.

Mudem os anos, os amigos, os empregos, a sorte, mas que não mude a caverna, a chama e o aconchego da minha mais brilhante certeza: a de não haver rodinhas possíveis para a minha biblioteca.

quarta-feira, setembro 26, 2007

Vagabun Do Mar

Cortaram-lhe os dedos, arrancaram-lhe os dentes e coseram-lhe a boca.

Mais, congelaram-lhe o coração. E abandonaram-no numa jangada à deriva.

Um dia, depois de muita derivagem, bateu contra uma areia fina.

Levaram-no, descoseram-lhe a boca e descongelaram-lhe o coração.

Um dia, depois de muitos dias, mesmo muitos, abandonaram-no, simplesmente e sem mais, numa jangada à deriva.

Desta feita usou os braços como remos e não voltou a haver dia em que batesse contra o que fosse.

quinta-feira, setembro 20, 2007

Uni o verso por falta de espaço

Dizem que não sabiam quem era

Só sabem que tinha um curriculum vitae, uma carta de apresentação e um namorado.

E, dizem, dizia sempre pelos sítios onde passava que, para que se soubesse, tinha um curriculum vitae, uma carta de apresentação e um namorado.

E assim vos digo, sabiam tão pouco que nunca souberam quem era.

quarta-feira, julho 18, 2007

quinta-feira, junho 07, 2007

quinta-feira, março 22, 2007

O trangolomanglo

Esquivou-se-nos o dia 21 sem que lhe atirássemos com um poema à parede!



Xácara das dez meninas, de Mário Cesariny. Voz do sempre grande Mário Viegas.

domingo, março 18, 2007

The american way

A propósito do filme Fur: An Imaginary Portrait of Diane Arbus, surgem ávidos curiosos em busca de qualquer registo da fotógrafa em moda. Saem de olhos confusos e mente invadida de imagens pouco comuns e difíceis de digerir. A curiosidade matou o gato...

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

A breve resposta, S.


Tantas voltas que se podem dar e tu ainda à volta do mesmo, malvada!

A pensar em ti, C.,

a Dica da Semana publicou, nos classificados de 25 de janeiro de 2007, o seguinte anúncio:

Precisa-se
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Coloquei a informação relevante em itálico, não fosse o anfíbio escapar-te!

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Presente às mijinhas



Ofereceram-me um puzle sem embrulho ou caixa original.

Condenando-me, assim, sem fazer uso de qualquer rebuço, a um contínuo presente onde vou desembrulhando a coisa com a coisa.

E deste modo me encontro,

vivendo o presente às mijinhas.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Por detrás de um grande homem está sempre uma grande besta, indissociáveis. (Dentro de nós estamos nós, não o animal.)

We have strict statues and most biting laws,-
The needful bits and curbs to headstrong wills,-
Which for this fourteen years we have let slip;
Even like an o'ergrown lion in a cave,
That goes not out to prey. Now, as fond fathers,
Having bound up the threat'ning twigs of birch,
Only to stick it in their children's sight
For terror, not to use, in time the rod
Becomes more mock'd than fear'd; so our decrees,
Dead to infliction, to themselves are dead;
And liberty plucks justice by the nose;
The baby beats the nurse, and quite athwart
Goes all decorum.
Measure for measure
Deveis, pois, saber que há duas formas de combater: uma com leis, a outra com a força. A primeira é própria do homem, a segunda, das bestas. Mas como a primeira muitas vezes não basta, convém recorrer à segunda. [...]e uma sem a outra não é durável.
O Príncipe

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Lost in Translation?

O Tempo perguntou ao Tempo quanto tempo o Tempo tem

ACTO I
Uma segunda-feira. Um autocarro. Uma miúda. Uma mãe.

CINCOANOS (pensativa, olhando pela janela do autocarro que passa pela rua onde acontece todos os Domingos a bendita Feira do Relógio) Amanhã é a feira?
A Mãe abana a cabeça repetidamente na horizontal.

Depois de amanhã?
A Mãe abana a cabeça repetidamente na horizontal.

Depois de depois de amanhã?
A Mãe abana a cabeça repetidamente na horizontal.

Depois de depois de depois de amanhã?
A Mãe abana a cabeça repetidamente na horizontal.

Depois de depois de depois de depois de amanhã?
A Mãe abana a cabeça repetidamente na horizontal.

Depois de depois de depois de depois de depois de amanhã?
A Mãe abana a cabeça na vertical.

Pois, e depois é a escola.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Dr. in the House

Sentia-se tão por dentro das coisas que não havia um dia, no café onde trabalhava, em que não misturasse galões com ortopantomografias.

Blogue epistolar

Excelentíssimos,

Xxxxxx xxxxxxx-xxx xx xxx xx! Xxx xxxxx xx xxxxxx xxxxxxx xx xxxxxxx, xxx xx xxxx xxxx xxxxxxx xxxxx.

Xxxxxxx, xxxx xx xxxx xxx xxxxxxxxx. Xxxxxx: xxxx, xxxx, xxxxxxx, xxx, xxxxxxxx x xxxxx. Xxxxx xxxxxx x xx xxxxx xxx xxxxxxxxx xxxxx xx.

Xxxxxxx xxx xxx xxxxx,

Xxxxxxxxxxxxxx,

Jeremias

Já cá faltavam

As benditas resoluções para 2007

-crescer 9cm
-fazer, outra vez, 25 anos

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Vimo-nos a braços com a predilecção

-Hoje, como em muitos outros dias, apetecia-me ter-te nos meus braços.


-Hoje, como em muitos outros dias, planeio abandonar-me nos teus braços.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Efeito Condicional de um Pronome Demonstrativo Variável combinado com uma Preposição

"Se ele não entrar naquele eléctrico, ele que é tão racional, tão terra a terra, tão céptico, nunca vai ver, na outra esquina, a rapariga que vende flores embrulhadas num jornal.

Ela, tão magra, mirrada, pequenina, fugiu daquele filme do Chaplin e jurou não mais voltar. A rapariga vive em câmara lenta, sempre com um solo de piano a sublinhar os seus gestos. Passa a vida a olhar os carros que passam, as pessoas que passam, à espera do seu grande amor, de um homem que lhe dê valor, mesmo sabendo que ela é muda como nos filmes do passado, daquelas que falam com os olhos, acreditando por todos os poros num ardor temerário, que o amor é gesto e silêncio, é um momento sublime suspenso no vento.

Se ele não entrar naquele eléctrico não vai, numa obra do tal acaso, esse sujeito tão imprevisível e parvo, apaixonar-se pela rapariga das flores.

Não vai descer quatro paragens antes da sua, voltando correndo e suando para o Terreiro do Paço, com o coração aos saltos, esbarrando em homens baixos e altos, que circulam pela Baixa com propósitos desconhecidos, talvez a caminho dos empregos ou apenas a fugir do medo, o que é normal entre aqueles que não sabem os próprios destinos.

Se ele não entrar naquele eléctrico não terá motivo para, enquanto corre debaixo da chuva fina, repassar toda a vida. Não lembrará o primeiro beijo, nem a última noite de desejo, nem o vazio da manhã seguinte, o cheiro de cigarro no quarto, nem aquela dor, espécie poética de enfarte, típica de quem está sentado na beira da cama, ao lado de uma qualquer fulana, perto de quem acaba de fazer amor mas longe de alguém que possa chamar de amor.

Se ele não entrar naquele eléctrico não vai (...). E ela não vai (...)."

-Ele não.
-E ela?
-Também não.
-Olha, eléctricos há muitos!
-Para aqueles não.


Edson Athaide escreveu o aspeado

sexta-feira, novembro 24, 2006

Outono na minha terra


Depois da forte chuvada, num dia em que o verbo ventar se fez presente, milhares de sobreviventes reuniram-se em praça pública para prestar o último adeus aos mortos, cujo número chegou já aos mil, embora a recolha continue.

Só eu vi seis espalhados por diversos caixotes, mesmo ao lado dos jornais e das cascas de banana. Outros tantos em valas comuns, rotos, rompidos, rasgados. Mortos.

Dois morreram mesmo à minha frente, estraçalhados pelos elementos naturais, a saber: muito ar, muita água e muita falta de jeito.

Condoída, é como estou, porque se há dias em que não saio de chapéu-de-chuva são dias de chuva.

Imagem roubada, claro está.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Do tamanho das coisas

mas porque é que há gente que ignora a maiúscula?

Eu cá começo sempre uma frase com uma letra tamanhosa, e até já ponderei seriamente pôr uma letra tamanhosa sempre que começo uma palavra. Mas dá trabalho, e o trabalho, por menor que seja, estará sempre de bom tamanho.

Enfim, problemas de tamanho tiram-se de letra.

Ainda o antónio e a cleo

Amar é destruir.

sábado, novembro 11, 2006

An Inconvenient Truth

Ladies and gentlemen,

We are not glad to present you “An Inconvenient Truth”.



Take a look and make your decision. Do you want a better place, or do you want no place at all?

sexta-feira, novembro 03, 2006

Só por existir.


E agora, J.?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, J.?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, J.?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou

e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, J.?

E agora, J.?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
J., e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse

a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, J.!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, J.!
J., para onde?


Itálicos de Drummond de Andrade

terça-feira, outubro 24, 2006

Se complica la trama


Corso estuvo en Lisboa menos de cinquenta minutos; el tiempo justo para ir de la estación de Santa Apolonia a la del Rossío.

Itálicos de Arturo Pérez-Reverte

terça-feira, outubro 17, 2006

Macaquinha de citação


Dear Quotation
Please walk by me again
With a drink in your hand
And your legs all white
From the winter

Poderiam até ser as mesmas pernas. Poderiam até, e digo-o já num registo assumido de fé, ser brancas, acompanhadas de mãos com bebidas. Mas, caramba, confundir a Quotation com a Heather?

Só mesmo quem não as conhecer muito bem a ambas.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Com voz ou sem vós, camaradas, Ele não seria possível

Este blogue é cá uma coisa. Transparente que só Ele.
Leva-se à letra, faz o que diz. Cumpre-se.
Este blogue cumpre-se: Ele é nem chus nem bus bytes a fio.

sexta-feira, setembro 29, 2006

The Prince... of Bel-Air


- Por favor... desenha-me um gato!
- O quê?
- Desenha-me um gato...
- Mas... eu não sei desenhar!
- Não faz mal. Desenha-me um gato...
- Pois... mas... e que tal uma ovelha? Queres uma ovelha?
- Não! Não! Não quero uma ovelha para nada!

Cansei-me daquilo! Fui dar uma volta pela rua de polaroid na mão. Depressa voltei com a fotografia de um gato.

- Toma – disse-lhe – é tudo o que posso fazer...

Raio do miúdo!

quinta-feira, setembro 14, 2006

Não ficarei indiferente


A subnutrição e fome matam uma criança no mundo em cada seis segundos, ou nove em cada minuto.Cerca de 10 anos passados desde que foi lançado o desafio do Milénio -de reduzir a fome no mundo para metade até 2015 -, o número de pessoas afectadas pela insegurança alimentar (fome e subnutrição) aumentou em 18 milhões, ascendendo a 852 milhões no final de 2002. O documento anual da agência das NU para a Alimentação e Agricultura (FAO) indica que, por ano morrem ainda, cinco milhões de crianças vítimas da fome e carências alimentares.(Diário Digital)

Foto e texto no Gin Tónico

terça-feira, setembro 12, 2006