quinta-feira, outubro 27, 2016

Pai

Quando há quatro anos esticou o braço para me oferecer o Homem Duplicado, eu juro ter visto uma luz à porta da caverna.

Entretanto, percebi que aquele título não tinha nenhuma mensagem subentendida.

Continuo a espreitar por trás das costas à procura dele. Mas ele está para lá do que a minha vista pode alcançar, e ele próprio não sabe bem quem é.

Quero acreditar que o meu pai é uma sombra distorcidíssima do seu arquétipo.

Afinal, pai, só queria um pouco mais do mesmo. Um pouco mais de ti.

segunda-feira, janeiro 20, 2014

terça-feira, fevereiro 14, 2012

quinta-feira, outubro 13, 2011

Ser capaz

Para a esquerda, direita ou em frente, há que seguir.

Para trás nunca foi caminho.

Mais uma mão que se levanta no ar para disparar um adeus.

quarta-feira, setembro 28, 2011

Tudo isto é fado

Vem aí a inspeção do veículo automóvel e ainda o seguro anual.
É o mês do ano em que me ficam apenas alguns trocos para os cafés (ainda bem que não fumo) e alguns, só?, bilhetes para o Doc Lisboa.

Assim sendo, vou aproveitar e cuidar do bendito veículo automóvel, com a certeza de que há de passar-se um ano em que me compensará por tudo o que lhe dou neste mês.

Pegar todas as manhãs, desviar-se das paredes dos parques do Bairro Alto quando estou a sair já um pouco alheada de mim. Nunca fugir com estranhos, abrandar automaticamente sempre que vê um carro de polícia ou um peão e, acima de tudo, levar-me longe.

Já comprei as luvas brancas, como ele gosta, para poder raspar-lhe as pastilhas das portas, aspirar-lhe a cinza do chão, sacudir-lhe os almofadados, abrilhantar-lhe os plastificados, esfregar-lhe os vidros, enterrar os mosquitos, devolver as folhas secas à terra, pontapear-lhe os pneus para verificar o ar, colocar os cd's nas respectivas caixas e afastar as últimas areias do verão.

Tudo isto enquanto ele me dá música.