quinta-feira, junho 07, 2007

quinta-feira, março 22, 2007

O trangolomanglo

Esquivou-se-nos o dia 21 sem que lhe atirássemos com um poema à parede!



Xácara das dez meninas, de Mário Cesariny. Voz do sempre grande Mário Viegas.

domingo, março 18, 2007

The american way

A propósito do filme Fur: An Imaginary Portrait of Diane Arbus, surgem ávidos curiosos em busca de qualquer registo da fotógrafa em moda. Saem de olhos confusos e mente invadida de imagens pouco comuns e difíceis de digerir. A curiosidade matou o gato...

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

A breve resposta, S.


Tantas voltas que se podem dar e tu ainda à volta do mesmo, malvada!

A pensar em ti, C.,

a Dica da Semana publicou, nos classificados de 25 de janeiro de 2007, o seguinte anúncio:

Precisa-se
Projecto híbrido único, mercado água, monte sua empresa com amigos ambiciosos, s/ investimento, com formação grátis por empresa internacinal, em Portugal há 5 anos Tel:96477740X

Coloquei a informação relevante em itálico, não fosse o anfíbio escapar-te!

quinta-feira, janeiro 11, 2007

Presente às mijinhas



Ofereceram-me um puzle sem embrulho ou caixa original.

Condenando-me, assim, sem fazer uso de qualquer rebuço, a um contínuo presente onde vou desembrulhando a coisa com a coisa.

E deste modo me encontro,

vivendo o presente às mijinhas.

terça-feira, janeiro 09, 2007

Por detrás de um grande homem está sempre uma grande besta, indissociáveis. (Dentro de nós estamos nós, não o animal.)

We have strict statues and most biting laws,-
The needful bits and curbs to headstrong wills,-
Which for this fourteen years we have let slip;
Even like an o'ergrown lion in a cave,
That goes not out to prey. Now, as fond fathers,
Having bound up the threat'ning twigs of birch,
Only to stick it in their children's sight
For terror, not to use, in time the rod
Becomes more mock'd than fear'd; so our decrees,
Dead to infliction, to themselves are dead;
And liberty plucks justice by the nose;
The baby beats the nurse, and quite athwart
Goes all decorum.
Measure for measure
Deveis, pois, saber que há duas formas de combater: uma com leis, a outra com a força. A primeira é própria do homem, a segunda, das bestas. Mas como a primeira muitas vezes não basta, convém recorrer à segunda. [...]e uma sem a outra não é durável.
O Príncipe

segunda-feira, janeiro 08, 2007

Lost in Translation?

O Tempo perguntou ao Tempo quanto tempo o Tempo tem

ACTO I
Uma segunda-feira. Um autocarro. Uma miúda. Uma mãe.

CINCOANOS (pensativa, olhando pela janela do autocarro que passa pela rua onde acontece todos os Domingos a bendita Feira do Relógio) Amanhã é a feira?
A Mãe abana a cabeça repetidamente na horizontal.

Depois de amanhã?
A Mãe abana a cabeça repetidamente na horizontal.

Depois de depois de amanhã?
A Mãe abana a cabeça repetidamente na horizontal.

Depois de depois de depois de amanhã?
A Mãe abana a cabeça repetidamente na horizontal.

Depois de depois de depois de depois de amanhã?
A Mãe abana a cabeça repetidamente na horizontal.

Depois de depois de depois de depois de depois de amanhã?
A Mãe abana a cabeça na vertical.

Pois, e depois é a escola.

terça-feira, janeiro 02, 2007

Dr. in the House

Sentia-se tão por dentro das coisas que não havia um dia, no café onde trabalhava, em que não misturasse galões com ortopantomografias.

Blogue epistolar

Excelentíssimos,

Xxxxxx xxxxxxx-xxx xx xxx xx! Xxx xxxxx xx xxxxxx xxxxxxx xx xxxxxxx, xxx xx xxxx xxxx xxxxxxx xxxxx.

Xxxxxxx, xxxx xx xxxx xxx xxxxxxxxx. Xxxxxx: xxxx, xxxx, xxxxxxx, xxx, xxxxxxxx x xxxxx. Xxxxx xxxxxx x xx xxxxx xxx xxxxxxxxx xxxxx xx.

Xxxxxxx xxx xxx xxxxx,

Xxxxxxxxxxxxxx,

Jeremias

Já cá faltavam

As benditas resoluções para 2007

-crescer 9cm
-fazer, outra vez, 25 anos

quarta-feira, dezembro 13, 2006

Vimo-nos a braços com a predilecção

-Hoje, como em muitos outros dias, apetecia-me ter-te nos meus braços.


-Hoje, como em muitos outros dias, planeio abandonar-me nos teus braços.

segunda-feira, dezembro 11, 2006

Efeito Condicional de um Pronome Demonstrativo Variável combinado com uma Preposição

"Se ele não entrar naquele eléctrico, ele que é tão racional, tão terra a terra, tão céptico, nunca vai ver, na outra esquina, a rapariga que vende flores embrulhadas num jornal.

Ela, tão magra, mirrada, pequenina, fugiu daquele filme do Chaplin e jurou não mais voltar. A rapariga vive em câmara lenta, sempre com um solo de piano a sublinhar os seus gestos. Passa a vida a olhar os carros que passam, as pessoas que passam, à espera do seu grande amor, de um homem que lhe dê valor, mesmo sabendo que ela é muda como nos filmes do passado, daquelas que falam com os olhos, acreditando por todos os poros num ardor temerário, que o amor é gesto e silêncio, é um momento sublime suspenso no vento.

Se ele não entrar naquele eléctrico não vai, numa obra do tal acaso, esse sujeito tão imprevisível e parvo, apaixonar-se pela rapariga das flores.

Não vai descer quatro paragens antes da sua, voltando correndo e suando para o Terreiro do Paço, com o coração aos saltos, esbarrando em homens baixos e altos, que circulam pela Baixa com propósitos desconhecidos, talvez a caminho dos empregos ou apenas a fugir do medo, o que é normal entre aqueles que não sabem os próprios destinos.

Se ele não entrar naquele eléctrico não terá motivo para, enquanto corre debaixo da chuva fina, repassar toda a vida. Não lembrará o primeiro beijo, nem a última noite de desejo, nem o vazio da manhã seguinte, o cheiro de cigarro no quarto, nem aquela dor, espécie poética de enfarte, típica de quem está sentado na beira da cama, ao lado de uma qualquer fulana, perto de quem acaba de fazer amor mas longe de alguém que possa chamar de amor.

Se ele não entrar naquele eléctrico não vai (...). E ela não vai (...)."

-Ele não.
-E ela?
-Também não.
-Olha, eléctricos há muitos!
-Para aqueles não.


Edson Athaide escreveu o aspeado

sexta-feira, novembro 24, 2006

Outono na minha terra


Depois da forte chuvada, num dia em que o verbo ventar se fez presente, milhares de sobreviventes reuniram-se em praça pública para prestar o último adeus aos mortos, cujo número chegou já aos mil, embora a recolha continue.

Só eu vi seis espalhados por diversos caixotes, mesmo ao lado dos jornais e das cascas de banana. Outros tantos em valas comuns, rotos, rompidos, rasgados. Mortos.

Dois morreram mesmo à minha frente, estraçalhados pelos elementos naturais, a saber: muito ar, muita água e muita falta de jeito.

Condoída, é como estou, porque se há dias em que não saio de chapéu-de-chuva são dias de chuva.

Imagem roubada, claro está.

segunda-feira, novembro 20, 2006

Do tamanho das coisas

mas porque é que há gente que ignora a maiúscula?

Eu cá começo sempre uma frase com uma letra tamanhosa, e até já ponderei seriamente pôr uma letra tamanhosa sempre que começo uma palavra. Mas dá trabalho, e o trabalho, por menor que seja, estará sempre de bom tamanho.

Enfim, problemas de tamanho tiram-se de letra.